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poetas falastrões
josés
joaquins
joões
por favor
me poupem
dos seus dons
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Savana
***
Não há para que explicar, das cadelas, a língua, senão arrancar-lhes do ventre a poesia – de alma quebrada e útero em brasa. Vícios?
…
Crias e tetas feroz defendo.
(Trecho de “Cadelas”, de Wilson Bueno. In: Manual de Zoofilia)
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Finalmente o terceiro número da Revista de Autofagia chegou da gráfica. Pouco mais de um ano separou a publicação desse número do anterior, e acredito que valeu a espera. Estou feliz com o resultado. O time de colaboradores está nota dez. Aliás, o Makely escreveu um post bem bacana sobre a publicação desse terceiro número da revista. Vale conferir.
Na foto acima, uma prévia do evento que ficou mundialmente conhecido como o pré-lançamento oficial da Revista de Autofagia 3. Alguns dos colaboradores apareceram aqui em casa na tarde de ontem, e aproveitamos a ocasião para uma singela comemoração. Da esquerda para a direita: Sérgio Fantini, Marcelo Terça-Nada!, Leo Gonçalves e Bruno Brum.
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Relacha e gosa.
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O vento passa e torna para a hélice.
O pássaro passa e volta para a caixa de ferramentas.
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Velociraptors invadem a cidade pilotando velocípedes.
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A palavra férias, sempre grafada no plural, embora geralmente aconteça uma (ou menos) vezes ao ano.
Estou há duas semanas me dando um descanso. Desde que a Lelé fraturou o tornozelo, me incumbi da tarefa de cuidar dela, da casa e dos bichos. Tem sido divertido. Recebemos os amigos, tomamos cervejas e assistimos filmes. Aliás, os amigos que quiserem aparecer, é só ligar.
Me lembro de uma professora que dizia que nas férias só lia cardápios. Não chega a tanto, mas a frase é boa.
Quem quiser conhecer a página (provisória) do gatil, o caminho é esse.
A Revista de Autofagia fica pronta a qualquer momento. Quem quiser encomendar seu exemplar, já pode fazê-lo diretamente comigo ou com o Makely.
Acho que o resultado está muito bom. O projeto editorial amadureceu, assim como o projeto gráfico. As críticas e os elogios acerca dos números anteriores que ouvimos nos últimos anos, se não puderam mudar o que já foi feito, foram imensamente úteis para redefinir certas coisas e tocar o projeto adiante, com mais força e convicção.
O quarto número já está em andamento, e os dois primeiros podem ser baixados aqui no blogue, conforme já foi amplamente divulgado.
Por hora é só.
***
Nota importante: Ademir Assunção dá um toque a todos os escritores que se importam com os rumos que as políticas públicas para a literatura poderão tomar no país nos próximos anos. Questão de ordem prática, a meu ver muito mais significativa do que as conversinhas retórico-discursivas que abundam em alguns blogues de poetas brasileiros contemporâneos, discutindo se a poesia é histórica ou trans-histórica, se as questões sociais devem ou não fazer parte do trabalho do escritor, ou mesmo as eternas pendengas entre poesia escrita, falada, cantada e o sexo dos anjos. Se liguem aí, que isso é algo que de fato pode fazer alguma diferença no nosso “pobre” meio literário:
“A nova lei cria o Fundo Setorial das Artes que inclui, repare bem, teatro, circo, dança, artes visuais e música. Reparou? Literatura não está incluída aí, como arte. Eu estou cansado de bater na mesma tecla. Estou também sem tempo (preciso batalhar minha própria sobrevivência). Mas sugiro que todos os escritores que ainda têm alguma consciência façam uma coisa simples: entrem no site no Minc, sigam ao link da consulta pública da nova lei eexigam que a literatura seja considerada como uma arte. Que ela saia do guarda-chuva “livro e leitura” e passe para o Fundo Setorial das Artes.”
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UM SUICÍDIO
A aranha
delicada
lambe-me
entre os dedos
e uma luva
de veludo negro
se espalha por todo o braço.
Do outro lado,
a outra mão,
pálida como a neve
sangra maçãs
sobre um bilhete
inacabado.
Não há espelho
ou beijo
que as despertem.
Paralisia.





