Dois poemas de Leopoldo María Panero

Leopoldo-María-Panero

NÃO SE TRATA DE RANCOR, MAS DE ÓDIO

Ils convoitent la haine, au lieu de la rancune

Stéphane Mallarmé

 

Não há nada tão puro quanto o ódio

que esta fonte jorra como bile dourada

e onde há milhares de flores brotando da trepadeira

cruel do nada, milhares

de trêmulos lilases

como mil mentiras.

Eu sou alguém que mente na tarde

rubi nos olhos do sapo

e espera pela caçada

de cervos na noite.

Porque o que sou só o sabe o verso

que vai morrer em seus lábios

como o relincho que põe fim à caça.

NO SE TRATA DE RENCOR, SINO DE ODIO
Nada hay tan puro como el odio/ que vierte esta fuente como dorada bilis/ y en donde hay miles de flores saliendo de la enredadera/ cruel de la nada, miles/ de temblorosas lilas/ como mil mentiras./ Yo soy alguien que miente en la tarde/ rubí en los ojos del sapo/ y espera que forma la cacería/ de ciervos en la noche./ Porque lo que soy yo sólo lo sabe el verso/ que va a morir en tus labios/ como el relincho que da fin a la caza.

 

CAPITÃO GANCHO

a Steven Spielberg

 

O Filho de Deus urina em minha cabeça

calva como a do Capitão Gancho

e uma flor cresce sobre minha cabeça

calva como a do Capitão Gancho

e uma criança a poda e a deixa cair

sobre o estrume infinito

que é a terra de Gancho, e um grito

para saciar a tempestade.

***

Já que estou só

sob a chuva

e os vermes e as minhocas sobem ao solo

perguntando por nós, os mortais imortais

sob a chuva

que é uma pergunta sobre a insignificância do homem

que desconheço

já que estou só

sob a chuva, sob a imensa chuva.

CAPTAIN HOOK
a Steven Spielberg
 El Hijo de Dios orina en mi cabeza/ calva como la del Captain Hook/ y una flor crece sobre mi cabeza/ calva como la del Cartain Hook/ y un niño la poda y deja caer/ sobre el estiércol infinito/ que es la tierra de Hook, y un grito/ para saciar la tempestad.// ***// Ya que estoy solo/ bajo la lluvia/ y salen los gusanos, las lombrices de tierra/ a preguntar por nosotros, los mortales inmortales/ bajo la lluvia/ que es una pregunta acerca el nada del hombre/ del que no sé/ ya que estou solo/ bajo la lluvia, bajo la inmensa lluvia

 

Leopoldo María Panero nasceu em Madrid, Espanha, em 1948. Os poemas aqui traduzidos foram retirados, respectivamente, dos livros “Piedra Negra o del Temblar” (1992) e “Once Poemas” (1992).

Tradução: Bruno Brum

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