Cada

capa

Publicado em novembro de 2007, Cada é meu segundo livro. São ao todo trinta poemas, nos quais procurei explorar mais a fundo as possibilidades do verso: música, imagem, pensamento. Um livro em que o elemento ritmo assume fundamental importância. Também assino o projeto gráfico, que conta com ilustrações elaboradas a partir dos desenhos do anatomista espanhol Juan Valverde de Amusco (1525-1564) e tipografia neo-humanista desenhada por Hermann Zapf, compondo um conceito visual pautado pela tensão entre o que se atualiza e o que se repete, entre continuidade e ruptura: Cada.


Cada, 48 páginas, 12 x 18cm, brochura, em papel Pólen Bold (miolo) e Reciclato (capa).

Valor: R$15,00.

COMPRAR:bn.brum@gmail.com

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Sobre o livro:

Texto da orelha

por Amarildo Anzolin


Preste atenção a cada palavra, pois, em cada uma, a história do mundo. Não dita, digo, escrita por mim, mas pelos poemas, tipos, espaços, imagens, ilustrações de Bruno Brum. Não é de hoje que ele nos informa de coisas grandes por meio de poemas concisos, sejam ou não visuais. Estes parecem, por ora, ter ficado lá em Mínima idéia, boa estréia, livrinho minimalista desde o título até o seu fim. Ecos e grunhidos de criado-mudo aparecem, mas, não se engane, carunchos aqui não se criam.Cada não é obra de gaveta de guardados, é pensado e estruturado como livro, desde sua organização em seções que, embora não estejam explicitamente nomeadas, imprimem um ritmo narrativo ao corpo de poemas até o projeto gráfico, que confere unidade visual ao volume. Feito como é feito um corpo. Este Cada, aparentemente menos microscópico, também habita lâminas humanistas/expressionistas, até porque tudo depende do observador. E como ciência e arte não são opostas nem dicotômicas, um certo tom irônico-científico se mostra em “menos um”, “para ser mais exato” e nas proposições “a mensagem vermelha” e “how to read”, poemas que compõe a primeira seção do livro. Não bastasse a cada dia mais planetas, mais poetas, Brum busca pormenorizar sua poesia com a essencial equação vida versus obra, a qual permeia cada poro deste livro. Bruno une a pesquisa do tipo e do corpo, resultando o indivíduo, este sim indivisível. Cada tipo, cada poema remete ao átomo uma vez grego, esbelto, ególatra e auto-suficiente, mas agora pós-moderno, gregário, cósmico, quântico. O corpo (humano) do poema, mais que ações, sins e nãos, busca uma significação sonora e visual. Parodiando Russel Kirsch, o que aconteceria se os tipos pudessem olhar para as palavras? O óbvio come o absurdo e vice-versa. Às vezes esquecemos que a vida é um grande e solitário absurdo, mesmo que ainda deixe transparecer por debaixo dela os olhos arregalados do óbvio. E no fim o que toda pessoa, todo poeta busca é despetalar véus de sentido: aforismos?Ou mesmo o non sense como possibilidade de significado (“Os ursinhos cabulosos I, II e III”, misto de letra de música e fábula urbana).É preciso se apropriar das coisas antes que as coisas sumam sem deixar rastros, mas a linguagem nem sempre dá conta de tudo. Cada é corpo ou sombra? Mímica? Grande ou pequeno? Pode ser mais um ingrediente no “angu da influência” (que me faz pensar na aliteração “Brum/Bloom”)? Bruno sabe o que deve e precisa ficar de fora, Cada é fundamental: tempera tudo com água e sal. Apesar do mundo (estar como está), apesar de tudo (ainda ser como é), cada coisa (a seu tempo), tem seu lugar. Se a filosofia deixa as coisas como são, o destino da poesia talvez seja deixar as coisas como estão.


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Biscoitos finos de Bruno Brum
(Texto publicado no dia 01/12/2007, no Caderno Pensar, do jornal Estado de Minas)

por Ana Elisa Ribeiro

Bruno Brum nasceu em Belo Horizonte, bem no começo da década de 1980. Essa é uma das razões pelas quais ele pode ser considerado representante de uma geração de poetas novos. Não apenas jovens e nem apenas genuinamente belo-horizontinos, mas experimentadores das facilidades digitais e leitores de umas tantas safras de outros poetas. Bruno Brum é novo não apenas porque conta poucas décadas de idade, mas principalmente porque consegue renovar, com sutileza e eficácia, a poesia feita em Minas.

Há poucos dias, um grupo de escritores discutia quem são os novos (e jovens) romancistas mineiros. A questão é embaraçosa até para os bem informados plantonistas da cena literária. Se existir algum, dizia a atrevida roteirista, ainda não conheci. Quando se perguntavam por uma nova geração, certamente queriam dizer representantes que passaram os anos 1990 às voltas com computadores e literatura. Já o caso da poesia é bem outro. Há não apenas poetas revigoradores, mas também agitadores de um cenário até bem pouco acostumado aos mesmos nomes.

Mesmo entre os mais jovens, Bruno Brum desafina o coro e cria timbres muito particulares. O poeta faz o mais difícil de tudo: escrever de forma personalíssima a ponto de um texto seu poder ser reconhecido como só seu. Não apenas atravessado pela referência honrosa de fulano ou sicrano; nem porque tem este ou aquele acorde do poeta mais lido das suas prateleiras, mas porque já conseguiu, ainda no segundo livro, deixar no papel pistas inequívocas de sua autoria.

No primeiro livro, Mínima idéia, Bruno Brum brinca, talvez, mais com as imagens do que propriamente com as palavras. Autor dos textos e do projeto gráfico, conseguiu como resultado um livro cheio de detalhes tipográficos e arranjos de páginas. Naquela experiência de leitura, era possível arriscar que Bruno tivesse lido demais os concretistas de São Paulo ou escrito seus poemas todos à sombra de algum poeta meio artista gráfico. E são muitos, e talentosos. Mas neste Cada, que Bruno lança pelo selo Lira, o Laboratório Interartes Ricardo Aleixo, os poemas estão mais espaçosos do que os jogos de diagramação.

É comum encontrar uma página inteira dedicada a uma estrofe, quase um haikai, não fosse o jeito insolente dos versos. Para ter alguma mínima idéia da amplitude da poesia de Brum, as epígrafes vão de Chacal a Horácio, necessariamente nessa ordem. A seleção de textos e a seqüência em que eles estão dispostos não deixam dúvidas: trata-se de um livro editado, não apenas de um amontoado de liras sobrepostas, à espera de qualquer efeito de sentido.


Ímãs


Não há partes ou capítulos. Os poemas vêm meio avoados, parecendo colados com ímãs. Os primeiros versos são quase cálculos: “Da esquerda para a direita/ o primeiro está entre/ o zero e o um”, bem ao modo booleano de quem trabalha com editoração eletrônica. Mas os zeros e uns de Bruno Brum são sempre positivos. A pequena série “Os ursinhos cabulosos” merece menção especial. Não se parece com mais nada. Rebeca, a lesma lésbica, é narrada por um eu lírico lesmoliso. “Pensombra” é imagem sem precisar brincar com fontes e cores: “sempre que reparo/ minha sombra/ me ultrapassa/ se amarrota/ no entanto/ se a assopro”. Não resta dúvida de que o poeta faz galhofa até com a própria sombra. E se finge de triste, vez ou outra, como se numa levada levemente Pessoa: “Onde você estava no dia onze de agosto de mil/ novecentos e trinta e quatro?”. Será que ele quer mesmo resposta? Ou é poeta à procura da provocação?

Em 48 páginas, em formato quase de bolso, Bruno Brum deixa a “mínima idéia” no passado e faz de Cada um belo mostruário de poemas inteligentes, biscoitos finos de fato, sem ambigüidade.


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Por onde você andava?
(Texto publicado no dia 11/11/2007, no caderno Livros & Idéias, do jornal Gazeta de Alagoas)


por Gláucia Machado

Cada, o segundo livro de Bruno Brum, confirma a permanência e a resistência do diálogo com a vigorosa tradição verbivocovisual da poesia brasileira.
Na dança do intelecto, Bruno, que nasceu em Belo Horizonte, em 1981, se mostra habilidoso no trato com a palavra. A série de seis poemas iniciais é composta de argumentos lógicos, que lembram Philadelpho Menezes (1960-2000) em DemoLições (oupoemas aritmÉticos), de 1988, com seus achados construídos por jogos verbais. O primeiro poema, “Menos um”, demonstra isso:


Menos um


A diferença entre um
 – este – e outro
qualquer lugar alojado
em um terceiro e assim
por diante
talvez consista na pequena
variação de focos
que se deslocam de um
a outro ponto
situado ao longo
de determinada
extensão.


Esse texto de abertura parece uma instrução de leitura: a diferença entre um e outro é uma questão de olhar e somos prevenidos da necessidade de ajustar o foco para ler cada poema. Deslocadas e estendidas em versos, as palavras nos subtraem e caminham no sentido contrário do olhar automatizado. A saída é ver com olhos livres, ler e reler com a mente aberta. O sinal negativo, de “menos”, no título do primeiro poema, está presente no livro todo e acentua a indeterminação, aguçando o pensamento. É dizendo menos que Bruno Brum diz o indizível para nos fazer sentir/pensar o improvável.
Desde a capa, Cada nos dá o que pensar: dois corpos feitos de linhas vazadas movem-se e parecem indicar, ao mesmo tempo, o vazio que nos constrói e a força do movimento. Nos desenhos vetoriais, feitos pelo próprio poeta a partir de ilustrações do anatomista espanhol Juan Valverde de Amusco (1525-1564), os corpos porosos e depois o zoom no detalhe da segunda capa nos remetem aos versos de Antonio Gedeão (1906-1997) em seu A Máquina do Mundo: “O universo é feito essencialmente de coisa nenhuma./ Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea./ Espaço vazio, em suma./ O resto, é a matéria.”

E o que resta em cada poema não é insignificante. Movimentos de palavras, com a delicada precisão para educar os sentidos, para despertar o leitor com um bocado de surpresa. Como nas duas epígrafes do livro, em que Bruno Brum promove um encontro inusitado entre Chacal e Horácio. Do nosso cantador do cep 20000, lemos o verso “só o impossível acontece”. Em seguida, as palavras iniciais da Arte Poética de Horácio, um dosmais importantes clássicos latinos. Essa aproximação de linhagens distintas reforça a liberdade da linguagem de Bruno Brum. Ao mesmo tempo, a citação de Horácio nos traz o inusitado, o insólito:

“Suponhamos que um pintor entendesse de ligar a uma cabeça humana um pescoço de cavalo, ajuntar membros de toda procedência e cobri-los de penas variegadas, de sorte que a figura, de mulher formosa em cima, acabasse num hediondo peixe preto; entrados para ver o quadro, meus amigos, vocês conteriam o riso?”

Por essa fresta Bruno nos mostra, na poética clássica, o embrião da sátira, já praticada por Horácio àquela época. E também define o tipo de visualidade presente em Cada, o grotesco não exclui o sublime, como se vê na série “Ursinhos cabulosos”. Paródia explícita aos “ursinhos carinhosos”, os três poemas são carregados de humor reflexivo, que provoca estranhamento e descarta o riso fácil. Bruno mantém o humorismo de seu primeiro livro, Mínima Idéia (2004), em que encontramos a definição de poeta: “o poeta/ não tem guichê/ o poeta/ não tem cachê/ o poeta/ não tem dublê/ o poeta/ adora um clichê”. O clichê aparece em “Ursinhos cabulosos” como matéria prima, ponto de apoio para sua sátira ultra-jovem, que evoca as histórias infantis, os contos da carochinha, construídos por personagens alegóricas: Rebeca, Vanderley, Robert, Cauby, Evelyn. Nas fábulas de Cada, somos todos animais: humanos, lesmas ou leitões, mas não há moral, nem se alcança a saída no final do corredor.

O inventário da obra completa do poeta é sempre repartido, como nos mostra o poema à página 26 do Cada:

“Metade da minha obra completa pula do topo da gaveta enquanto um outro tanto, um quinto, talvez, completa hoje seu terceiro aniversário ao passo que um outro pedaço está agora na rua e se esbarra em dois terços da segunda parte sem que ninguém perceba, nem mesmo aquela metade que pulou da gaveta e que agora coça uma pereba no canto do cotovelo. A segunda metade, composta de quintos, terços, sextos não catalogados se espreguiça na janela do seu quarto enquanto cada parte perde o que lhe cabe entre tantas outras que se extingue antes que tudo se acabe.”

A organização do livro é cuidadosa. Intercala o lirismo contundente “o que dizer/ do amor/ que ficou/ guardado/ feito duas/ (desde/ o carnaval)/ ameixas/ meio murchas/ na geladeira” ao humor jocoso: “No fim do arco-íris existe um pote/ dentro do pote um gnomo/ que diz:/ Me chupa com violência.”

A sonoridade de cada poema é acentuada pelo vocabulário preciso e pela combinação de diferentes ritmos. Os textos pedem para ser falados, lidos em voz alta, mais de uma vez, como é o caso de “Undo”. O apelo sonoro desse termo traz a indeterminação dos significados da informática (desfazer), de uma canção da trilha sonora do anime Fullmetal Alchemist, mas também pode ser lido como derivação da palavra Mundo, como se fosse um lugar subtraído, fora de nossa compreensão:

“um buraco negro (na ponta de cada dedo
 percorrendo o extremo contorno da treva
olhos abertos desdobram o breu) de onde
 observam.”

Sem angústia da influência, Bruno Brum revela e assume suas escolhas, suas parcerias, e filia seu livro ao LIRA (Laboratório Interartes Ricardo Aleixo). E vai mais além: no poema “Angu da influência” ele pratica a sincronia e inverte a tradicional perspectiva de dívida com o passado. O “angu” é uma lista de quem não leu quem, na qual o poeta assume a irônica posição de leitor privilegiado. Em seu cânone subvertido, Bruno Brum reúne um repertório fabuloso e fecha o poema com a chave: “a vida é assim mesmo”. A fatalidade dessa conclusão nos leva a outro poema seu, do Mínima Idéia, em que o poeta lembra: “você não sabe o que está perdendo”. Na poesia, que sempre é leitura, perde mais quem não lê.


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A unidade poética de Bruno Brum

(Texto publicado no dia 24/03/2008, no Terra Magazine www.terramagazine.terra.com.br)


por Paulo Scott

O fato dos artífices de todas as artes relacionarem a excelência daquilo que fazem ou daquilo que buscam ao exultar próprio da linguagem poética – à sintonia ambiciosa entre o que é novo em realidade e em pensamento, delineando uma verdadeira rotina de profetizar (ou desafiar a loucura) – e, em acréscimo (tenham paciência, chegarei lá), o fato de suas artes serem tão mais populares do que a poesia – embora, por óbvio, eu esteja reduzindo o problema – revela um paradoxo insuperável. No Brasil, esse plano de reveses talvez se agrave em razão de termos tanta dificuldade de olhar para nós mesmos e tentar compreender as vicissitudes desse nosso modo de olhar (de paraíso jogado no canto do mundo).Poesia é palavrão no bairro onde cresci lá em Porto Alegre, é coisa de consumo supérfluo, para os afetados (tome-se aqui o viés pejorativo do termo), para a delinqüência que se pretende ao exterior e não tem talento para o samba. Com a noção exata desse preconceito (antes fosse estranheza), iniciei intuitivamente rabiscando as últimas folhas dos cadernos durante as aulas de primeiro grau. Não sei determinar com rigor o quê me trouxe o conforto da experimentação com as palavras, sei apenas que a literatura me trouxe um amparo de tempo, uma utilidade mesclada com pressa de viver, moveu-me de algum lugar estagnado e logo me deu a busca por um tipo impacto (ou abalo de leitor) que era mais agudo no texto poético – daí veio tudo: veio a partir de Leminski, Adélia Prado, Manoel de Barros. Não entendo os prosadores que enchem o peito dizendo que renegam qualquer tipo de poesia, entendo que seja apenas um truque marqueteiro de chamar a atenção. Leio poesia com muita cautela, sei que os erros maiores virão do meu comodismo de leitor – é o tipo de leitura que não perdoa os preguiçosos (e isso nada tem a ver com o nível cultural do sujeito) e muito menos os preconceituosos. Pode ser que o texto não lhe acrescente nada e pode ser que você seja tão obtuso ou mal resolvido que, retrógrado, não entenda a possibilidade óbvia que é só – e nada mais do que isso – diferente da sua. Passa-me pela cabeça o desafio natural que vem com a leitura de um Paul Celan: o fascínio e a intrincada sugestão de tragédia (no caso dele, tragédia verdadeira).  Dizem os europeus que país algum terá reconhecimento universal se não possuir um poeta universalmente conhecido para cantar suas idiossincrasias. Haverá qual por aqui? Carlos Drummond de Andrade? João Cabral de Melo Neto? Não me preocupa tal prospecção, como não me preocupa assumir o papel de estudioso ou crítico; não invocarei a proficiência de um Manoel da Costa Pinto, não invocarei a proficiência de qualquer outro crítico. Atreverei o que me parece notável, aquilo que é mais do que uma boa leitura – como já fiz, um tanto passionalmente, com os jovens poetas Caco Ishak, Angélica Freitas, Carlos Besen e Bruna Beber. Desta vez, pretendo mais. Tentarei uma constância de recomendações do que há de melhor entre os novos autores (alguns que sequer têm livros publicados). Dadas as justificativas, estréio a série de colunas sobre a nova produção literária brasileira com o poeta mineiro Bruno Brum, autor de recentemente coleção de poemas intitulada “Cada”, publicada pela Editora LIRA – projeto editorial capitaneado pelo poeta Ricardo Aleixo.

É difícil encontrar entre poetas muito jovens o senso pleno de local (e de risco) entre a verve e a contensão, quando isso acontece, nota-se logo se tratar de conquista não proveniente do mero volume de leitura (mesmo que crítica) ou de eventual abnegação intuitiva, mas de uma investigação, de uma busca que reconhece a medida exata da erudição, a importância da própria atualidade. Bruno é de fato um poeta atual, com o domínio bastante raro da simplicidade, ou das simplicidades que não são apenas de forma (ante não fosse necessário olhar no poço extenso do conteúdo), de regime estético. Seu texto não descarta os verdadeiros impasses de nossa língua, litígios que talvez se repitam em outras, mas que muito provavelmente sejam apenas reflexo da ânsia de universalidade (reporto-me ao copismo da cultura lusitana) que, no fundo, não é mais do que atalho.

Há tempo não percebo alguém se valer tão convicta e eficientemente do eco (dos ecos não-óbvios entre palavras; neste caso em especial: uma espécie de filho próspero da falha), esse fato cuja constatação leva ao regozijo acadêmicos e burocratas de plantão quando resolvem apontar às pressas as falhas de um texto de prosa ou poesia. Não há voluntariedade no texto Bruno, há ritmo, ataques seguros decorrentes, e renovados com perícia, da matéria-prima requentada do pop. Exemplo disso são os três poemas intitulados Os ursinhos cabulosos. O retorno elíptico e a construção aparentemente fragmentada (garanto que não é) de imagens poderiam sugerir, a um leitor mais apressado, uma ópera nonsense em três atos sobre três personagens distintas de uma mesma tragédia pós-moderna (pós-moderna?), todavia, é um desfile (cada um dos três) bem engendrado de palavras e imagens que provocam o melhor da narrativa poética, enfatizando um sentimento sempre vizinho ao drama, tencionado pela ironia que é quase a prova de querer permanecer no remoto da tragédia: um esculacho edificado em sutilezas e em notas graves, notas que são a mesma, tiradas de instrumentos variados.

Há lirismo e não-lirismo juntos, há referências explícitas ao que há de mais contemporâneo na literatura brasileira. Pergunto-me se algum acadêmico notaria? As outras referência e paráfrases não comprometem, são levadas com inteligência. Há provocações direcionadas contra sua própria herança – estratégia que os Fabrícios Carpinejar e Corsaletti já conseguiram cumprir muito bem.

São apenas trinta e um poemas de um escritor de vinte e sete anos: o suficiente para impactar. “Cada” é o segundo livro do Bruno, o primeiro foi “Mínima idéia” (Sêlo Editorial, 2004), cheguei a iniciar um parágrafo apontando o quando este poeta evoluiu nesses três anos, mas não seria justo com alguém que é capaz de um livro tão bom, não seria justo reduzir sua produção literária a cronogramas, a escadarias. Bruno está aí, pronto, e está fazendo um trabalho de primeira.

Abaixo, entrevista que fiz por e-mail com o jovem escritor.

1) O que te fez mudar tanto de estilo do primeiro livro para este?

É curioso responder a essa pergunta, porque não acredito que meu estilo tenha mudado tanto assim. O que aconteceu é que, pelo menos no Cada, eu abri mão de certos procedimentos e busquei intensificar algumas coisas que eu achava interessantes no primeiro livro e que não haviam sido bem exploradas. Percebo que um certo humor nonsense continua lá, a opção por poemas mais curtos também. Há algumas pitadas modernistas/construtivistas (Oswald/Augusto de Campos) das quais ainda não consegui me livrar totalmente e que ainda aparecem aqui e ali. Continuo lendo os poetas brasileiros do século XX, dos modernistas, passando pelos concretos, os marginais e chegando à turma contemporânea. Essas foram referências decisivas no Mínima Idéia, mas que agora convivem com outras leituras, outras possibilidades. Além disso, há um tom metalingüístico que percorre os dois livros. Agora, uma diferença que eu apontaria é a musicalidade dos poemas, presente nos dois livros de maneiras distintas. Grande parte dos poemas do Mínima Idéia apresentam encadeamentos melódicos bem marcados (rimas, aliterações, assonâncias, etc), porém mais previsíveis. No Cada eu optei muitas vezes por um ritmo mais truncado, poemas sem rimas, quase sem melodia, só ritmo. São poemas mais duros, muitos deles herméticos, em que o lirismo (outra característica presente, em graus diferentes, nos dois livros) simplesmente desaparece. Mas certamente a mudança mais explícita entre um livro e outro esteja relacionada aos poemas visuais. Nesse ponto sim, a mudança foi grande. A poesia concreta e visual representou uma possibilidade de liberdade muito grande para mim. Quando descobri esses poetas (Augusto, Haroldo, Décio, etc.), há cerca de 10 anos atrás, percebi que poderia ir um pouco além dos poemas românticos e melosos que vinha fazendo até então. Fiquei fascinado, passei a ir atrás de tudo que dissesse respeito à poesia visual e direcionei minha produção toda nesse sentido. O Mínima Idéia acabou sendo, então, um reflexo disso. Hoje vejo que muitos poemas ali não precisariam dos recursos visuais que foram usados. É um livro cheio de excessos, um livro meio afoito. Por outro lado, existem ali algumas soluções visuais que continuam me agradando, existem poemas dos quais ainda gosto, mas no geral é um livro ingênuo. Depois que terminei o Mínima Idéia, passei alguns meses escrevendo uns poemas ainda mais ingênuos do que aqueles que acabara de publicar. Poemas com efeitos de Photoshop e Corel Draw, com uso abusivo de fontes, mirabolâncias desse tipo. Tudo muito tosco. Depois desse tempo, parei para pensar no que faria a partir de então, já que nada daquilo estava me agradando mais. Nesse ponto talvez eu tenha respondido sua pergunta inicial: mudei porque achava que aquele repertório de práticas já havia se esgotado para mim, eu não estava conseguindo fazer nada de interessante dentro daquele caminho. Não estou dizendo que não exista mais caminho para a poesia visual, mas pelo menos para mim não houve, eu não via mais o que fazer ali. Preferi direcionar algumas das habilidades gráficas que eu havia adquirido até então para o trabalho com o livro mesmo, as ilustrações, a escolha da tipografia, do papel, etc, e não mais para experimentos tipográfico-visuais. Queria falar de outras coisas, de outra forma. Então, quando comecei a organizar o que seria o Cada, uma das primeiras limitações que me coloquei foi essa: todos os poemas serão digitados com a mesma fonte, o mesmo corpo, o mesmo alinhamento. Poemas em verso. E isso tem me agradado. Tenho conseguido encontrar caminhos que, talvez por limitação minha, eu não enxergava na poesia visual.

2) Erudição é preciso?

Esse é um assunto delicado. Para muita gente o termo “erudição” ou “erudito” soa bastante opressivo. Acho que erudição é preciso, sim. Principalmente para se evitar que se caia na ingenuidade por pura falta de informação. Mas é preciso delimitar de que “erudição” estamos falando. A erudição que as gerações mais recentes experimentam certamente não é aquela que experimentou Machado de Assis ou Rui Barbosa. Outro dia assisti a uma entrevista de um pesquisador que dizia que nas últimas décadas estamos conhecendo uma erudição proveniente dos videogames e jogos eletrônicos. As crianças conseguem passar horas concentradas em frente à TV jogando um RPG e quando pegam um livro para ler ficam com sono em 10 minutos. E isso é ruim? Pior? Não sei. São formas diferentes de se estimular a inteligência. É uma nova configuração e não adianta muito querer ir contra. Acho que as coisas vão se somando. Percebo que as pessoas da minha geração tem uma cultura de massa muito bem formada, todos leram quadrinhos, conhecem bem o cinema, a linguagem da TV, a música pop. E há uma defasagem muito grande em relação ao cânone literário universal. Eu, por exemplo, comecei a ler os clássicos muito tarde. Estou atrasadíssimo. Às vezes leio entrevistas de escritores mais velhos e muitos deles dizem que leram o Dom Quixote ou Os Lusíadas antes dos 10 anos de idade! Nessa idade eu jogava Atari e lia gibis! É uma coisa meio absurda, muita gente se incomoda com isso, fica com vergonha de dizer que nunca leu Os Lusíadas. Não digo que seja dispensável, acho que o escritor tem que ter curiosidade, tem que ler mesmo. Eu busco equilibrar isso, continuo lendo os contemporâneos, que costumam me tocar mais que qualquer outro escritor de qualquer outra época ou lugar, mas volta e meia leio um clássico, um autor consagrado. O que é preciso saber é que ninguém tem tempo para ler todos os livros de todas as literaturas. Existem muitas outras coisas para se fazer na vida. Mas existe muita gente que acredita que tem essa obrigação. E que se frustra quando descobre que isso é impossível.

3) Conhecer poesia é preciso?

Assim como na resposta anterior, acredito que sim. Não só é preciso ler os poetas, como também procurar entender o que eles fizeram. É preciso conhecer as regras do jogo, mesmo que seja para não segui-las à risca. Me lembro de quando comecei a escrever, eu e um grupo de amigos na escola. Todos queriam ser escritores. Mas uma coisa que me irritava um pouco é que o pessoal encarava tudo como apenas como uma viagem. Coisas do tipo “a poesia é o tudo, o nada, o cosmos…” e por aí vai. Enquanto isso eu estava preocupado em saber o que era um alexandrino, quem foi Felipo Tomaso Marineti, como se faz a escansão de um verso, o que vem a ser um soneto. Não que eu fosse apenas um formalista bitolado, mas eu queria saber dessas coisas também. Nunca deixei de lado a imaginação, a liberdade, o delírio. Tudo isso faz parte, mas existem outras coisas. Nunca pratiquei formas fixas, me falta vontade e paciência (e provavelmente habilidade). Outro dia baixei e li o Tratado de Versificação do Olavo Bilac. Me pergunta se eu vou seguir aquilo… não, não vou. Mas tive o interesse de ler. Outro texto interessantíssimo nesse sentido é o do Glauco Mattoso, lá no site dele, destrinchando o soneto. Eu adoro ler essas coisas.

4) Militar na poesia é preciso?

Aí vai depender do que você quer. Do que te interessa mais. Eu não acho que seja preciso. Se o cara escreve bem, isso acaba sendo uma forma de militância, não precisa levantar bandeira. Mas há quem se interesse por isso, e eu acho válido. Já militei mais. Na época do Literatura Urgente eu participei ativamente dos Fóruns de Discussão aqui em Minas, enviei propostas, discuti, assinei o manifesto, publiquei textos no meu blogue. Hoje me recolhi um pouco. Acredito que se você escreve livros buscando fazer o melhor, escreve na internet, edita revistas, organiza eventos, tudo isso são formas de militância. Mais do que isso, é ação, que é o que interessa. Não adianta pegar o megafone e ir protestar na porta do Ministério da Cultura. Cadê os poemas, os livros, a produção? Para mim é isso que interessa. Acho que vale a pena tentar equilibrar essas duas coisas, continuar produzindo e discutindo. Existe sim uma parcela de responsabilidade do escritor na formação de público leitor, na ocupação de espaços para a literatura. Se me chamam para ir em uma escola falar de poesia eu vou numa boa. Mas isso envolve coisas maiores, como as propostas para a educação no país. Acredito que faço a minha parte, mas não chego a ser utópico.

5) A poesia brasileira já amadureceu? O problema é na língua (pouco falada no mundo; pouco importante)?

Não sei se a poesia brasileira já amadureceu. Acho que, assim como qualquer outra poesia, ela está em processo, está se transformando. Algumas, com alguns séculos a mais de estrada, se transformam mais lentamente, têm conquistas mais sólidas. Outras, como a brasileira, continuam à baila, ora com acertos, ora com cabeçadas na parede. A resposta para essa pergunta é difícil, muito devido à memória recente que temos dos movimentos de vanguarda da primeira metade do século XX. Esses movimentos, munidos da crença na marcha linear da história em direção ao futuro, acabaram forjando no imaginário dos artistas subseqüentes uma certa idéia de avanço, de progresso inevitável. Hoje tudo isso está mais relativo, sabemos que a história é feita de avanços, retrocessos e guinadas em todas as direções. Talvez seja a isso que dão o nome de sociedade pós-utópica. A produção hoje é muito pulverizada. É difícil, a partir dos mesmos modelos, fazer esse mapeamento. Acho que a poesia brasileira teve bons poetas em todos os seus momentos. Gregório de Matos, Castro Alves, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Drummond, Cabral, todos eles são poetas de primeira grandeza. Mas essa condição periférica ocupada pelo nosso país (e nossa língua) de fato pesa um pouco. Passamos muitos séculos importando modelos da Europa e continuamos fazendo isso até hoje. Mas acredito que se determinada poesia (de fulano ou sicrano) tem força, não vai ser a condição periférica do país e da língua que a impedirão de caminhar. Pegue, por exemplo, esses poetas que citei. São traduzidos em diversas línguas, alguns deles em dezenas de línguas. A poesia concreta também, que representa um salto qualitativo muito grande, chegando a ser mesmo “importada” por poetas europeus e norte americanos. A “balança comercial” está longe de se equilibrar, mas muitas coisas já foram feitas. A poesia brasileira tem esses momentos fulgurantes. Só para ilustrar, tem aquela história do João Gilberto, que nunca falou direito nenhuma língua além do português. Nos anos 60, quando foi aos EUA para apresentações no Carnegie Hall, muitos dos grandes músicos de jazz da época aprenderam um pouco de português para poderem conversar com ele. Ou seja, o caminho contrário também existe. Enfim, o que importa é a poesia que está sendo feita. Mas tem um lado da poesia brasileira que eu considero sórdido e extremamente provinciano, que são os conchavos, as panelinhas, as gangues e da maledicência. Nada contra as pessoas que possuem afinidades se associarem, trabalharem em conjunto. Não é disso que estou falando. Mas existe muitas vezes uma ânsia em se ocupar espaços na base da troca mesquinha de favores e da polêmica infundada. Esses são os adeptos do foguetório vazio. Mas como eu já disse em uma resposta anterior, para mim o que vale é a produção. Se o cara não for bom não tem jeito, por mais força que se faça eu não leio.

6) Há futuro literário para Bruno Brum? Que futuro é este?

Acho que continuar escrevendo já está de bom tamanho. Se as pessoas vão ler e se interessar, isso é outra história, não dá para fazer muitas previsões. Tento continuar escrevendo com o mesmo prazer despretensioso com que comecei a escrever. Para mim, ler o que dizem a respeito dos meus livros em um jornal aqui em Minas, em Alagoas ou em um site da internet é uma coisa meio maluca, que eu nem imaginava há bem pouco tempo atrás. Não que meus livros estejam fazendo sucesso, que eu tenha me tornado um nome de destaque na nova literatura brasileira. Existem escritores da minha idade ou mais novos que já conseguiram uma projeção muito maior do que a minha. E é assim mesmo, cada um tem o seu caminho e o seu tempo. Acho que hoje consigo ter uma idéia melhor do alcance que meus livros têm. Mas eu estaria mentindo se dissesse que não quero nada além do que já tenho. Quero sim. Gostaria de ter meus próximos livros editados por editoras maiores, com tiragens maiores, com uma distribuição mais eficiente, etc. Gostaria de participar mais ativamente de mais eventos literários. Tenho a preocupação de mandar meu livro para as pessoas que admiro, que considero ter importância. Fico feliz quando vejo que consegui alguns avanços em relação ao livro anterior, que mais pessoas gostaram, teceram elogios. Tudo isso estimula. Por isso vou continuar fazendo as coisas do meu jeito, sem me preocupar se está certo ou errado, se isso ou aquilo. Isso pode resultar em uma literatura mais estranha, mais difícil de ser assimilada. Pode até ser. Mas só me concedo essas opções: ou ocupo o lugar que me é devido ou não ocupo lugar nenhum.

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Aprender a ser livre como um lugar do poema possível

(Publicado no dia 07/03/2008, no Caderno 3 do Diário do Nordeste, Forteleza-CE)

por Carlos Augusto Lima

Na grande maioria das vezes, falar ou ter que lidar com a poesia brasileira contemporânea é ter que atravessar determinados terrenos arenosos e, quando não, absurdamente densos de sentimentos e ressentimentos, estes últimos em escala sempre maior. Muitas vezes também é ter que constatar algumas práticas corriqueiras, entre intencionais, políticas, estratégicas, entre uma quase ingenuidade, mas que dizem muito do que é produzir literatura, não só o poema, mas suas outras possibilidades.Uma me chama atenção especialmente: a idéia de estar num determinado lugar, geográfico, conceitual, poético e tomá-lo como espaço da troca, verdade e inclusão. Um lugar que sugere uma determinação de pecha, rótulo, como se produzir literatura fosse conseguir uso de marca e confeccionar uma programação visual a ser exibida em prateleira. Hábito comum a que estamos sujeitos. Toma-se sentido reproduzi-lo e alimentá-lo quase sempre. Tomar aquele lugar como o único lugar da verdade, do poema, da crítica. Volto a pensar nesta ingenuidade, de como caímos desde cedo nessa teia, de ser um lugar. O pior de tudo é quando nos obrigamos a ter que dar uma resposta de retidão que seja a esses lugares e pessoas, para depois dar um passo além, ou fora, estar num outro trânsito. Como funciona? Se é que funciona. Como empreender uma jornada que recorte uma outra possibilidade de pensar o poema desprendido das respostas que nos obrigam ou nos obrigamos sempre a dar?

[…]

O poeta mineiro Bruno Brum se apropria do poema primeiro enquanto livro, coisa e matéria. Cada (Lira, 2007) é seu segundo livro, livro bonito, com projeto gráfico e ilustrações tramadas pelo próprio Bruno Brum, que se afina no trânsito entre poesia, design gráfico, artes visuais. Cada traz uma beleza digna de nota na sua concepção visual, é preciso que se afirme, coisa de quem conhece e cuida. O livro é delicado como seus poemas, muitos deles breves, donos de tiradas e máximas, do chiste misturado com erudição, como se brincasse. Há um quê de ingenuidade e soltura, um quase desgaste, um passeio por formas recorrentes, traçados e concretismos aqui e acolá, mas nada disso para dizer a verdade importa. O que importa é que as coisas funcionam. O que importa é que Bruno passeia levíssimo, rouba coisas daqui e dali, sabe o que diz e confirma a fala. E rouba o fogo da alegria, pois, como já disse, Bruno brinca, mas brinca com coisa séria que é o poema.(Será?) Cada está no rol desses livros que não precisam prestar contas com os senhores do destino, com este artigo, nem menos com aquele ou aquele outro lugar. Sua liberdade é o lugar do poema possível. Bruno Brum não discute. O que pintar, ele assina.

* * *

Bruno apareceu com sua admirável coleção de poemas novos em folha, nos quais identifiquei, de cara, uma unidade poucas vezes vista em trabalhos de poetas de sua faixa geracional. Mais que concordar em emprestar a ele o prestígio nenhum das quatro letras a partir das quais mobilizo minha cada vez mais escassa vontade de diálogo, entendi que o LIRA só fará pleno sentido se funcionar como uma espécie de incubadora de projetos artísticos e culturais. Bruno Brum, com seu novo livro, me permite entender uma frase que me encafifa desde a adolescência: “só se dá força a quem já a possui”. Bruno chegou com um livro praticamente pronto – da seleção dos textos ao primoroso projeto gráfico. (…) De mim ele só pode esperar o que tenho para dar a poetas como ele: nada. Ou “força” (na acepção que a tradição iorubá confere a este lindo vocábulo: axé). E agora é com vocês. Quem quiser conhecer alguma da melhor poesia que se tem feito no Brasil, hoje, não pode deixar de ler o novo conjunto de poemas (a todos os títulos superior ao bom Mínima idéia, livro de estréia do poeta-designer) reunido em Cada.

Ricardo Aleixo, no blogue http://www.jaguadarte.blogspot.com

Gostei bastante do livro – dos poemas e também dos desenhos e do arranjo do livro. Se eu fosse assinalar os poemas de que gostei, acho que assinalaria a maior parte. Mas acho que na verdade o que interessa mais é o conjunto – um bom trabalho.

Júlio Castañon Guimarães, por e-mail

Estou lendo o novo livro do poeta Bruno Brum. Um corpo emaranhado. Onde nada entra ou sai. Está tudo ali. Contido. Atado. Amarrado por humores. Mas sem nós. Sem nódoas. Tudo limpo. Com a excelência de uma poesia sofisticada, sem pedantismo. Tramas muito bem elaboradas. Estou dissecando o novo livro do poeta Bruno Brum. Um livro vivo. Sincero e estranho, feito um corpo. Poucos livros de poesia são assim. Um deleite. E é assim que eu o leio:

bruno boom. cada. vez que leio. bruno brumo. cada. vez que releio. bruno bruma. cada. vez que enleio. bruno rum. cada lâmina. bruno runa. cada verso. bruno bloom. cada risco. bruno rumo. cada ruído. bruno bumbo. cada bruno. bruno uno. cada. voz que leio. cada. voz que releio. cada. voz que enleio. cada página. cada rasgo. cada visgo. cada riso. cada ciso. cada veio. cada veia. cadavérico bruno. uno. um. único. bruno cadabrum.abracadabra bruno. bruno brada: cada.

Marcelo Sahea, no blogue http://www.poesilha.blogspot.com

Pelo meu temperamento, curti mais a série Os Ursinhos Cabulosos. Me diverti com o nonsense, ritmo e musicalidade. Ótimas sacadas sacanas.

Ademir Assunção, no blogue http://www.zonabranca.blog.uol.com.br

Abri-o de relance e lá me vejo. Me regozijo. Sorrio de uma orelha à outra. Seus poemas são certeiros. Oblíquos, no entanto. Na mosca por atalhos e todavias. Vamos em frente. Comemoraresse Cada. Nada mais importante que tê-lo vivo, espalhando novidades de Bruno Brum. O resto são as maravilhosas trapaças do dia a dia.

Chacal, por e-mail

Além da edição lindona, teus poemas são muito bons. (…) Na verdade, a maioria absoluta dos livros de poesia que recebo (inclusive de amigos) não conseguem me levar a uma segunda leitura. Apesar de eu não ter tido tempo de ler teu livro todo, já deu pra ver que ele tem algo diferente, tua leitura da tradição é muito lúcida, o que faz com que você não cometa erros estéticos típicos da maioria dos caras da nossa geração.

Paulo de Toledo, por e-mail

Belo livro graficamente. Gostei. Agora, lerei com calma.

Régis Bonvicino, por e-mail

Cada corre riscos. Pode haver elogio maior? E é na verdade uma simples constatação. O Cada é inquieto. Questiona por dentro. E tem alguns lances lancinantes…

Francisco Kaq, por e-mail

Lançamento em Belo Horizonte, 26/11/2007.

 Da esquerda para a direita: Bruno Brum, Nicolas Behr, Benedikt Wiertz e Ricardo Aleixo.

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2 respostas para Cada

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