Mínima ideia

livro

Mínima Idéia, 64 páginas, 15 x 21cm, brochura, em papel AP Offset (miolo) e Cartão Supremo (capa).

Disponibilidade: ESGOTADO

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Sobre o livro:


Confesso que mínima idéia (aliás, não entendi bem o título, ainda me intriga um pouco) me desperta um híbrido de ciúme e inveja (aqui sem a falsa definição de admiração, mesma que esta exista). Trata-se, sem dúvida, de uma excelente estréia. Você é lírico, cara. E daquele lirismo perfeito, que sai, se descobre, se desveste, se desdobra do véu da linguagem. Tudo isso sem cairmos na babaquice de forma/conteúdo, e desprezando a idéia de experiências tipográficas. Você tem olho esperto, na escolha dos tipos, tamanhos etc. Sempre achei que para se fazer “poesia visual” (aspas, porque comungo com o Augusto de Campos, que acredita que a poesia visual está imersa na poesia [boa] em geral) se necessita de uma habilidade/sensibilidade específica, especial. Abro parênteses e te pergunto: você desenvolve outras poéticas, como, por exemplo, poemas de mais fôlego, com ou sem versos, letras de música, prosa (esta aparece em lances no livro) etc? Admiro tua coragem em lançar um livro assim neste momento/contexto histórico. Não sei se teria coragem hoje de investir numa poesia radical assim. Sabemos que arte é marginal, que a poesia é um nicho dentro disso, e que a poesia visual e a performance são germens dentro do sistema poético-solar. Quero dizer com isso que, num certo sentido, somos marginais mesmo. Mas não existe obra sem riscos e excessos. Também acho que não sou um crítico ideal pro teu trampo, pois gosto muito desse tipo de poesia; foi minha primeira escola, primeiro flerte, punheta. Gostei muito dos poemas de mais fôlego, eles não perdem o caráter visual/imagético, mas têm algo que os liga mais à vida, de maneira expressionista, talvez. Mesmo nos textos mais xiitas, você aparece “confessional”, autoral, lírico. Havia percebido o poema do “fotógrafo”, o qual me deu um trabalhão e gastei um tempinho para desvendá-lo, desvelá-lo. Fiquei intrigado com o modo como você se coloca no livro dialogando com o leitor, às vezes se colocando fisicamente, como em “anuncie aqui” (inevitável não remeter aos anúncios makelyanos) e outros. Obviamente, a primeira referência que vem à cabeça é Augusto de Campos, mas aqui sem vexame nem demérito nem delírio, porque você consegue altos momentos praticando um isomorfismo sensacional (coisa que acho nunca (ou quase) ter conseguido, em termos de visualidade). Me lembrou um pouco o Arnaldo Antunes de Psia e Tudos, principalmente aqueles que apresentam um “cerebralismo autômato junkie” (agora forcei!). Genial a sacada da orelha. Gostei muito da capa. A gramatura e a escolha do papel do miolo fortalecem o projeto gráfico. Mesmo achando que você já apresenta uma cara própria, fico muito curioso para ler/ver seu(s) próximo(s) trampo(s) poético(s). Talvez todos esses comentários e também os seguintes sirvam mais para os outros do que pra você, mas são algumas coisas que noto após ler/ver seu livro algumas vezes.

Amarildo Anzolin, poeta, PR


“Mínima Idéia” (Sêlo Editorial) ostenta, já desde a capa, sua filiação à vertente experimental da poesia brasileira. Aberta, portanto, ao erro, como diria Oswald de Andrade. E, claro, Bruno arrisca – e erra – o quanto pode em seu primeiro livro. Pode-se apontar, restritivamente, em seus poemas, um excessivo apego às facilidades oferecidas pelo computador como editor de textos, mas o leitor atento perceberá que tal gesto nada tem de ingênuo ou deslumbrado (“se você prestar atenção/ vai perceber que eu/ não presto”, diz, ambivalente, num dos poemas mais enxutos e realizados do volume, que ecoa o Paulo Leminski de “distraídos venceremos”).

O que não se pode é ignorar o empenho de Bruno de ler a seu modo – provocando o diálogo e o atrito – o passado recente e o presente mais vivo da poesia brasileira. Seu lema bem pode estar neste bom poema, que exibe o prazer da criação de sutis cadeias fônicas e da exploração do espaço da página: “lesma a esmo/ mesmo sem conversa/ mesmo que dispersa/ num banho de sal”.

Ricardo Aleixo, poeta, músico e performer, MG


***

Comentários: poema a poema

por Amarildo Anzolin


Não se conforma: um metapoema, uma metaforma, com muito humor, fazendo paralelos com a forma física e a da página. Estética X estética. No melhor estilo “fome de forma”. Aliás, a página é anoréxica e anêmica.

Chove: de um lirismo certeiro.

Não faço pouco caso: bom exemplo da tua poética; diria até biográfico, com tintas beatnik, marginal.

A/lugar: gostei da relação das palavras entre idiomas (a/um), caso também do poema ou/or.

Faca/foca: excelente a realização gráfica, bem como a dos paradoxos em jogo.

Escola/coice: o H é uma bomba quando se descobre (explode).

Lesma a esmo: bonita situação/imagem. Fez lembrar minha infância.

1) : genial! Adorei o jeito como você se coloca, literalmente, no poema, seja na pele ou no papel de autor, ou ainda sugerindo-se mais carne e osso, como nos poemas não presto, anuncie aqui,bundão, coisa com coisa, você não sabe e se não o lesse. O poema é seu é um diálogo em que me parece abdicar, como deve fazer o poeta, do sentido do poema.

Desfaz-se: muito boa montagem lógico-gráfica, aliás, um dos pontos fortes no seu trabalho.

P.S. : lírico pra caralho! Dosagem exata. Meaning and feeling.

Fomos visitar os doentes: poema (em prosa) inusitado, social (forte traço seu também) e expressionista.

Quer me: boa pulverização de palavras, possibilitando vários sentidos, de maneira fluída.

Cio&cia e ter/ser: não gostei. Acho desgastada/perigosa/temerária demais essa poética. Talvez aqui também uma qualidade se contextualizado, mas não sei…

Brota: do mesmo time do p.s.

Cárcere sabor felicidade: social, irônico. Gosto dessa linha.

Onde íamos?: Achei próximo ao Maiakóvski, porém, mais cerebral. Bom poema, também numa mescla com a prosa.

Quem sequer e cada macaco: metalinguagem, na melhor linhagem, a da crítica. Libelos poéticos, a consciência da linguagem multimídia, e também a demonstração da visão ampla e da área de atuação que você tem e opera. Mesmo caso parareticências: explicitação da predileção pelos ínfimos/infinitos assuntos e escolhas da poesia.

Ácidocáusticolindo: bela junção da questão das línguas com a coisa social, dois pontos claros no corpo de poemas.

Aparece(r): como falei acima, foi um suador (por isso mais ainda um bom poema). Sou fissurado por peças assim em que se vai desvendando o significado, descascando palimpsestos, e chegando a substratos líricos. Caso também de desfecho os olhos, de leitura mais amena, porém não de menor beleza.

Uma formiga: outro exemplo maravilhoso de maestria na escolha do tipo e no resultado da fisionomia. Soluções entre linguagem e realidade. Isso vale também para Over.

Anima: ideograma.

O poeta e pedaço de pão: poemas dentro daquela vertente social, um pouco metalinguagem também, mas aqui muito próximo ao Augusto de Campos. Considerando a palavra “próximo” sem valor pejorativo.

Etcéteras: sutil, com aquele cinza; se “enquadra” na poética dequem sequer e cada macaco.

uma idéia: não resisto e cito-me: poema parente daquele meu: “tentologoinsisto”.

Eraumavezumsujeitofelizparasempre: ótima ironia ao velho soneto de guerra. Já é um clássico.

De/frango: gêmeo de “a/lugar”, mas com outra matéria. Interessante como o livro se movimenta, unindo e separando, mas remetendo a poemas de natureza parecida.

Outrossim: um grande achado.

Ando e dia adia?: lembram o (bom) Arnaldo Antunes de Psia.

O erro irrisório: milionário acerto oswaldiano, da mesma maneira que a idéia da orelha do livro.

Puder foda se quem: corajoso, inusitado, várias possíveis leituras.

+ ou – : grande resolução, com o espelhamento e as tensões de “mais” e “menos”.

Bezerro: humanizou o bicho! Cerebral, lírico, insuspeito.

Vale apenas: boa sacada irônica, assim como refém nascido, porém esse com o toque social.

Rumo(r): sinalização de possibilidade poética. Mas nos limites do aceitável: também poética perigosa… Só para esclarecer esse assunto: no eu também, coloquei alguns poemas “fracos”, bem entendidos pelo Joca Wolff; fazemos escolhas.

Exletras: belo neologismo. Legal também, de novo, a coisa da junção de línguas.

 também gosto delas, são irrecusáveis!

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4 respostas para Mínima ideia

  1. Pingback: SALAMALANDRO | bruno brum :: sabor graxa

  2. Pingback: Livros « sabor graxa

  3. edson cruz disse:

    boa surpresa seu livro, Bruno.
    parabéns!
    edson

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